Compartilhamento e Distribuição do Comum - Projeto de Pesquisa

De Indisciplinar
Revisão de 12h56min de 22 de abril de 2015 por Marcelo (discussão | contribs)
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)
Ir para: navegação, pesquisa

Resumo

Partindo de um dialogo entre diversas áreas de conhecimento e buscando visões complementares para a cidade contemporânea, esta pesquisa de caráter multidisciplinar aborda novos métodos de diagnóstico, análise crítica e planejamento urbano. Como quadro teórico de referência, apoiamos em Hardt & Negri que entendem que os processos livres e criativos da multidão podem revolucionar o mundo e instituir uma riqueza comum compartilhada (HARDT & NEGRI, 2009). Entende-se como bem comum compartilhado em Hardt & Negri o ar, a água , o solo, os frutos e toda a herança da humanidade essencial à reprodução da vida, e também, os produtos essenciais à interação social tais como a linguagem, o conhecimento, os códigos, a informação, o afeto entre outros. Compartilhamento e Distribuição do Comum converge pesquisa em tecnologias de conexão e cultura cotidiana, identificando instrumentos de agenciamento espacial que possam promover a autonomia de comunidades potencializando sua capacidade produtiva e criativa. Buscamos nas tecnologias de conexão ferramentas, métodos e abordagens teórico conceituais para trabalhar o compartilhamento e a distribuição de recursos essenciais à vida no sistema urbano. Partindo da ontologia do comum de Hardt & Negri acrescidos do contexto tecnológico sóciocultural contemporâneo, sugere-se soluções práticas de compartilhamento de recursos urbanos, verificando com que grau ele é possível, tanto do ponto de vista técnico, quanto do cultural. Procuramos também verificar o quanto este compartilhamento do comum pode contribuir com o equilíbrio do consumo em busca de um equilíbrio ambiental urbano, social e econômico.

Tecnopolítica do sistema urbano

O compartilhamento de espaços urbanos (praças, ruas, parques, rios, nascentes, etc.), objetos (coisas, ferramentas e infraestrutura) e práticas cotidianas, entendido aqui como recursos urbanos, tem se mostrado uma alternativa necessária para instrumentalizar o planejamento urbano contemporâneo (MAIA, 2013). Como consequência, imaginamos que o compartilhamento destes recursos poderia indiretamente promover uma redução do consumo, trazendo resultados positivos num equilíbrio entre demanda e consumo, conquistando sistematicamente um equilíbrio social e econômico. Grandes empresas de tecnologias de conexão como a CISCO, Siemens, IBM, etc. juntamente com a governança pública tem desenvolvido e implementado soluções eficientes e notáveis aplicadas à arquitetura e ao urbanismo. Já podemos enumerar uma série de experiências práticas e soluções já implementadas e em funcionamento em algumas cidades que tem sugerido uma nova prática de planejamento e gestão urbanos. Esta nova prática sugere uma tendência a se pensar a cidade como uma espécie de arquitetura da arquitetura, uma solução a nível de metadesign que agencia indivíduos e coisas: edifícios, infraestrutura pública, sistemas de transporte, informação, conhecimento, cultura, saberes populares, consumo, etc. conectando-os aos indivíduos numa relação sistêmica e dinâmica própria do ambiente urbano vivo. Este agenciamento é a base de uma infraestrutura leve que faz a distribuição dos recursos. Sem infraestrutura e política de distribuição de recursos, não há otimização ou até mesmo uso do que é ou pode ser compartilhado. Ao identificar esta tendência de atuação prática de grandes empresas que convergem seu conhecimento e se dispõe à apresentar “soluções para as cidades”, pretendemos nesta pesquisa nos inserir criticamente e ativamente nesta prática.

Do ponto de vista polítco, percebe-se que as iniciativas empresariais, indentificadas por Maia (2013) , mesmo quando vinculadas ao poder público, visam à reprodução de bens privados e a otimização de recursos em prol do aumento de lucros. Ainda que com motivações ecosustentáveis em pano de fundo, a privatização de uma riqueza comum tal como apontado por Hardt & Negri (2009) é intensificada pelas tecnologias de conexão e revestidas de euforia tecnológica apresentadas como única saída sustentável para o futuro do planeta. Percebe-se claramente que a privatização da riqueza comum é potencializada neste processo francamente reconhecido como inovador pela sociedade e assimilado sem uma postura crítica e política cidadã. Portanto, esta pesquisa assume, entende criticamente e se instrumentaliza ativamente do potencial das tecnologias de conexão para discutir numa abordagem prática e cotidiana, técnicas, metodologias e políticas de empoderamento de práticas comunitárias que livremente criam o bem comum contrapondo os recorrentes processos de privatização do comum.

Sobre as tecnologias de conexão em situações práticas de compartilhamento e distribuição de recursos urbanos

Apresentaremos alguns exemplos práticos de compartilhamento de recursos urbanos; o Car2Go, o Smart+Connected Residential e o Smart+Connected Personalized Spaces como exemplos contextuais de como a tecnologia pode fornecer instrumentos, métodos e abordagens teórico conceituais para esta pesquisa.

Car2Go

Car2Go é um serviço privado de compartilhamento de automóveis implementado por algumas cidades como alternativa complementar ao sistema de transporte público existente. O sistema Car2Go permite reservas com até 30 minutos de antecedência. Com o cartão de membro do Car2Go (um cartão com Tag RFID), se o carro não estiver "em uso", a porta será aberta, e o carro estará livre para uso. Um automóvel disponível para uso pode ser identificado num aplicativo (App) de smartphone ou visualmente na rua - um carro do serviço estacionado na rua pode ser identificado com pela logomarca fixada na lataria e pintura padronizada.

O sistema de cobrança do Car2Go é feito por tempo de uso. A cobrança é feita em minutos com descontos progressivos a depender da duração (horas, números de dias). A taxa cobrada inclui todos os custos do veículo: combustível, seguro, impostos, pedágios, estacionamento, etc. Ao entrar no veículo, o sistema começa a contar o tempo. Ao estacionar o veículo e "liberá-lo", o período de cobrança se interrompe. Este sistema é bastante útil pois induz a disponibilização de veículos no sistema. Um usuário pode pegar um veículo para ir visitar um amigo e ao chegar ao seu destino e estacionar o carro, ele terá duas opções: "liberar" o veículo ou mantê-lo "em uso" pelo tempo que estiver fazendo a visita. Se o veículo é "liberado" no sistema, a cobrança é interrompida, se o veículo for mantido "em uso" no sistema, a cobrança continua. Deste modo, um equilíbrio de disponibilidade de veículos ocorrerá naturalmente tendo em vista que os veículos estarão bloqueados - "em uso" - em casos onde há real necessidade. Nas localidades onde há escassez de vagas, o serviço conta com estacionamento próprio e gratuito. Logo, ir ao centro da cidade não terá custo adicional com estacionamento. Os veículos podem ser estacionados em qualquer local, não apenas nas áreas reservadas ao serviço. Desta forma garante-se a rotatividade e o uso constante dos veículos. Quanto maior o número de usuários e frota de veículos compartilhados, maior é a probabilidade de se encontrar um veículo à disposição no lugar e na hora em que ele é requisitado. Os veículos podem ser abastecidos por uma equipe de técnicos do sistema, mas caso o usuário faça o abastecimento, ele ganha "minutos" de bônus para ser utilizado no serviço. Com esta estratégia, o sistema induz o abastecimento dos veículos pelos próprios usuários garantindo que eles sempre estejam preparados para o uso. 

O compartilhamento de um recurso solicita uma cultura colaborativa. Ao entrar no veículo, o usuário faz uma avaliação das condições do veículo (limpeza, conservação e eventuais problemas técnicos ou mecânicos). Como os carros são conectados em tempo real com o sistema, outras informações são coletadas como níveis de combustível e sinais de alerta de possíveis falhas mecânicas identificadas pelos sensores. Desta forma, um carro pode ser instantaneamente coletado para manutenção, retirado de circulação ou simplesmente ter um reparo rápido pela equipe técnica do serviço garantindo que toda a frota esteja sempre pronta para uso e em boas condições. 

A eficiência do sistema Car2Go aumenta exponencialmente com o aumento de usuários. Quanto maior o número de usuários mais eficiente ele se torna. Já no sistema de transporte baseado na propriedade individual (cada um tem o seu carro), o aumento de usuários é proporcional ao aumento da ineficiência do sistema e ao desconforto. Quanto mais cidadãos com carros individuais próprios, mais congestionada é a cidade e mais desconfortável é o sistema de mobilidade urbano. No sistema Car2Go trabalha-se a demanda individual sem perder a conexão e o equilíbrio com o todo. 

Smart+Connected Residential

O Smart+Connected Residential traz algumas soluções para serem aplicadas em grande escala pelo mercado imobiliário. A princípio parece um programa de automação residencial com diversas funcionalidades ligadas ao conforto e lazer pessoal. Porém, o fato de conectar estes serviços em uma plataforma única permite, por exemplo, o monitoramento em tempo real do consumo de energia de um bairro. Sabe-se que a energia elétrica distribuída na nossa cidade não pode ser armazenada; ela é distribuída por uma rede a partir de uma demanda de consumo estimada. Ou seja, se existe uma previsão de consumo para um determinado horário do dia, a companhia energética libera mais volume de água do reservatório, aumentando a produção das turbinas e gerando um equilíbrio no fornecimento de energia no sistema. O “apagão” ocorre exatamente no momento em que o consumo foi maior que a demanda prevista. Por garantia, as companhias energéticas sempre geram mais energia do que está previsto para ser consumido, resultando em perda de energia pelo sistema. Na proposta da CISCO, com o monitoramento em tempo real, o controle da geração de energia pode ser feito, não por previsão de demanda, mas por uma demanda real, sob medida, para aquele exato momento, minimizando a perda de energia no sistema de transmissão e distribuição. Isso gera uma economia significativa de energia. A solução da CISCO monitora e agencia, em tempo real, o consumo e a geração da energia. 

Smart+Connected Personalized Spaces

Uma outra solução disponibilizada pela CISCO é Smart+Connected Personalized Spaces. A flexibilização do espaço e do tempo do trabalho permitiu a cultura dos escritórios em casa (home office), como conseqüência, surge a demanda por um espaço que atue como suporte para as demandas de encontros: reuniões, workshops, palestras, etc. A solução consiste no agenciamento de espaços de eprivaique podem ser compartilhados entre diversas empresas e profissionais autônomos. Deste modo, consegue-se uma otimização dos espaços de escritório resultando numa economia de recursos materiais e energéticos. Com um aplicativo que pode ser utilizado tanto no computador quanto em um celular, é possível agendar uma sala, especificando todas as características necessárias: mobiliário, equipamentos, tamanho/número de pessoas, etc. A CISCO ainda fornece uma conexão direta do espaço físico com os servidores da empresa. Desta forma, os projetos que estão sendo desenvolvidos (aplicativos, arquivos, dados, etc.), estarão todos disponíveis para o funcionário na’sala agendada, não importando a localização desta sala. Deste modo, a CISCO trabalha uma conexão direta indivíduo/funcionário - material de trabalho - espaço físico, que pode ser ajustado instantaneamente em qualquer lugar, a qualque’ momento.

O sistema de compartilhamento

Este compartilhamento, coletivo que é objeto desta pesquisa se difere das experiências anteriores de arquitetura e urbanismo. O sistema de compartilhamento aqui é descontínuo, flexível e acontece por sobreposição e não imposição. Ou seja, as soluções se fundem e somam à toda e qualquer situação pré-existente e a sua inserção é uma opção assim como um botão de ligar e desligar. Os indivíduos optam por utilizar um serviço numa condição temporária. Como exemplo analítico, podemos contrapor um "padrão" cada vez mais recorrente no Brasil de condomínios residenciais, com áreas de lazer e convívio (piscinas, quadras, saunas, espaço "gourmet", brinquedotecas, "garageband", academia, etc.) e o Car2Go. O projeto de ambos partem de uma estratégia de compartilhamento de uma infraestrutura comum. No condomínio o compartilhamento é contínuo pois as áreas comuns são uma constante no dia a dia dos moradores. O Car2Go pode ser parte do dia a dia ou não. Um indivíduo pode utilizar este serviço diariamente ou uma vez ao ano. O Car2Go entra no cotidiano no momento e na hora que é necessário sem trazer custos fixos de manutenção. No caso do condomínio a infraestrutura está sempre disponível e seus custos de manutenção e despesa são divididos pelos moradores independente do uso. Este modelo é inflexível quanto ao modo de vida de seus moradores. As escolhas individuais não são consideradas levando-se em consideração determinados momentos e instantes. É necessário que todos os moradores se considerem atendidos por uma infraestrutura que é coletivamente imposta. No contraponto, o Car2Go é uma infraestrutura coletivamente disponível. Se é necessária a um indivíduo num determinado instante, ela estará lá. O compartilhamento é leve e não pesa. Condomínios estabelecem limites para o compartilhamento ao passo que o compartilhamento da arquitetura e urbanismo quebra limites e multiplica o potencial do que é compartilhado. O condomínio trabalha com um número restrito e determinado de usuários enquanto que o Car2Go trabalha virtualmente com um número ilimitado de indivíduos. A infraestrutura leve e conectada permite que a distribuição e a utilização dos recursos seja equilibrada, quer seja demandada por 1, 10, 100 ou 1 milhão de indivíduos. 

Estes são alguns dos muitos estudos que evidenciam uma tendência em convergir tecnologias de informação e comunicação, e mais recentemente a tecnologia móvel no agenciamento espacial da Arquitetura e do Urbanismo. Estas tecnologias se infiltram na infraestrutura urbana permanente, sólida e inflexível, ora multiplicando sua potência, ora repotencializando-a, possibilitando usos e rotinas reconfigurados. Percebe-se que este design se baseia em estratégias de otimização e compartilhamento que agenciam espaços em tempo real. Este espaço agenciado entendido de forma ampliada pode ser o espaço de trabalho, de encontro, de lazer, assim como um espaço na infraestrutua de transporte urbano ou o espaço de consumo consciente e equilibrado de recursos não renováveis. Estas tecnologias quando se infiltram, tem se mostrado eficazes na promoção do equilíbrio dos recursos no ambiente urbano tornando a cidade sustentável. Mas é importante destacar que esta sustentabilidade só é possível no engajamento responsável e consciente de cada indivíduo o que evidencia seu aspecto cultural como condicionante.

Objetivos e metas a serem alcançados

Soluções de compartilhamento e distribuição de recursos condicionadas por tecnologias de conexão já foram mapeadas, analisadas e criticadas por Maia (2013). Deste modo, trabalhamos com a hipótese de que se as soluções estão postas, a melhor forma de politizá-las é inserindo em práticas cotidianas em situações de demandas reais.

Considerando o estado da arte atual, objetiva-se:

observar e analisar criticamente com que grau de engajamento do cidadão, consegue-se compartilhar recursos urbanos considerando limitações políticas, técnicas, econômicas e culturais; identificar e mapear a riqueza comum ou simplesmente, o comum, condição à vida no sistema urbano (metrópole).

Posto o objetivo, teremos como meta:

criar uma plataforma digital, colaborativa, web que permita mapear o comum na metrópole; criar uma aplicação para telefone móvel que seja capaz de conectar as comunidades e movimentos sociais entorno do comum relacionados à agricultura urbana bem como servir de interface para a ferramenta web de mapeamento das práticas e grupos; experimento de campo associado à desenvolvimento de tecnologias de conexão garantindo a autonomia dos indivíduos no compartilhamento e distribuição do comum na metrópole.


Material e métodos

Partindo de experiências já consolidadas do grupo de pesquisa Indisciplinar em mapeamentos digitais colaborativos feitos em diversos momentos e contextos, utilizaremos como material as plataformas de mapeamento colaborativo instrumentalizados pelo CrowdMap, plataforma de código livre, desenvolvido pelo USHAHIDI e o Mapa de Vista desenvolvido pelo HackLab. O CrowdMap foi utilizado em uma ação do Indisciplinar entorno do movimento FicaFicus de Belo Horizonte. O mapeamento colaborativo permitiu a coleta de denúncias de cortes irregulares de árvores de grande porte. Neste experimento utilizamos interface móvel em aplicativo para Android e IOS para alimentação do mapa com dados. Outro experimento do grupo foi o Mapeando o Comum em Belo Horizonte que teve como plataforma o Mapa de Vistas. Mapeando o Comum é um projeto do arquiteto espanhol Pablo de Soto e já circulou em diversas cidades em processo intenso multitudinário em todo o mundo: Atenas, Istanbul, Rio de Janeiro e agora São Paulo.

O workshop Mapeando o comum em Belo Horizonte aconteceu durante o evento coordenado pelo Grupo Indisciplinar na programação do Verão Arte Comteporânea de 2014 denominado Cartografias Biopotentes. Os mapeamentos colaborativos serão utilizados para criar uma interface intuitiva e sensível de uma base de dados sobre a agricultura urbana na RMBH. É muito importante entender a metodologia de sensibilização de dados como uma maneira de inserir o indivíduo na informação. Quando isso ocorre, provoca-se imediatamente uma reação e consequente diálogo. Deste modo, é necessário também que junto dos mapeamentos sejam elaboradas bases que sensibilizem a informação. Estas bases podem ser por exemplo; vídeos, animações, infográficos, ensaios fotográficos, diagramas e mapas interativos. O mapeamento com a informação sensibilizada poderá se expandir para fins de comercialização alcançando processos de economia solidária e promoção de uma logística de distribuição da produção excedente criando uma conexão direta entre demanda e oferta.

Na aplicação prática das tecnologias de conexão desenvolvidas, vamos promover pequenos cursos de capacitação das comunidade e movimentos sociais para que possam utilizar da melhor forma possível os recursos de mapeamento colaborativo e de conexão digital por meio de aplicações web e aplicações móveis em telefones celulares. Deste modo, pretende-se que as comunidades sejam autônomas tanto no processo de uso quanto na gestão das ferramentas. Em um segundo momento, como desdobramento deste projeto, deslumbra-se a distribuição de equipamentos e recursos de comunicação digital nas comunidades e movimentos sociais tendo como foco a juventude que poderá se capacitar em programação e design de ferramentas.

Em resumo, esta pesquisa terá como material base; mapas colaborativos em plataforma web; base de dados, textos, pesquisa e discussões em plataforma Wiki; mapas colaborativos integrados a plataforma web por meio de aplicações móveis para Android e IOS; vídeos e animações; infográficos e diagramas; e ensaios fotográficos.

Principais contribuições tecnológicas da proposta

Esta pesquisa poderá trazer contribuições para o campo tecnológico, especificamente da tecnologia social e da tecnopolítica. Vale ressaltar que entendemos aqui a riqueza comum, enquanto essencial à vida no sistema urbano. Em negrito marcamos os pontos que consideramos centrais na proposta. No que diz respeito à tecnologia social, a pesquisa contribuirá com; análise crítica de como as tecnologias de conexão podem contribuir para potencializar as práticas de agricultura urbana na RMBH; o quanto é efetivo o uso de mapeamentos colaborativos e interfaces de conexão em telefones celulares para a intensificação de processos colaborativos na rede de agricultura urbana da RMBH; apontar as metodologias; modos de uso e procedimentos que geram um maior engajamento dos indivíduos, comunidades e grupos sociais em processos livres de identificação e/ou produção do comum; apontar o quanto a colaboração em rede digital é possível, incluindo e observando atentamente indivíduos e grupos sociais que nunca utilizaram estas tecnologias de conexão. No que diz respeito à tecnopolítica, a pesquisa contribuirá com; análise de dificultadores econômicos que impedem a constituição de redes colaborativas inclusivas, tais como acesso à conexão, infraestrutura e serviços de internet; eleger e relatar estudos de caso, exemplos notáveis de processos mapeados que se viabilizaram de forma autônoma, sustentável, por meio de processos de economia solidária, promovendo inclusão social e segurança pública; apontar entraves legais que impedem processos autônomos de geração de renda e economia solidária na conexão entre a demanda por alimentos orgânicos na cidade e a comercialização do excedente produzido por indivíduos e comunidades.; subsidiar com análise crítica novas metodologias de planejamento e gestão de cidades à partir do compartilhamento de recursos urbanos; sugerir a partir da experiência prática como as tecnologias de conexão podem ser transformadas em processos flexíveis e participativos de planejamento sensíveis ao compartilhamento e distribuição de recursos urbanos comuns.


Cronograma

O trabalho será desenvolvido em três etapas distribuídas ao longo de 12 meses.

  • Etapa 1 - coleta e sensibilização dos dados

segundo e terceiro semestre: elaboração das plataformas de interface colaborativa e convite das comunidades à participação; organização de oficinas e cursos de capacitação com indivíduos, comunidades e movimentos sociais; elaboração de infográficos e vídeos que sensibilizem para a questão do bem comum a ser compartilhado e distribuído.

  • Etapa 2 - distribuição e compartilhamento

quarto semestre: ampliação e melhora da plataforma de mapeamento colaborativo; elaboração de aplicativo para dispositivo móvel Android e IOS para conectar indivíduos e comunidades.

  • Etapa 3 - análise crítica e proposições

quinto semestre: elaboração de questionários e avaliação do processo observando as limitações e/ou potencialidades econômicas, sociais e políticas; análise dos resultados e proposição crítica de possíveis intervenções em políticas públicas como forma de potencializar ou viabilizar práticas que se mostraram relevantes ou de interesse social. sexto semestre: produção de publicação associada a disciplina optativa na Escola de Arquitetura da UFMG como forma de divulgação dos resultados da pesquisa.

Plano de trabalho do bolsista

  • O trabalho do bolsista será desenvolvido ao longo de 12 meses de acordo com demandas e etapas solicitadas pela equipe executora do projeto. Em linhas gerais, espera-se do bolsista;
  • a coparticipação no design e programação das plataformas colaborativas web e na programação e desenvolvimento de aplicativo para dispositivo móvel/celular;
  • a participação em todas as visitas de campo;
  • co-pesquisar com indivíduos, parceiros, movimentos sociais e comunidades envolvidas no processo de produção do comum na metrópole, colaborando com o processo formativo destes;
  • elaborar relatórios;
  • elaborar artigos científicos para divulgação dos resultados observados na pesquisa.

Referência bibliográfica

DUNN, Nick. Infrastructural urbanism: Ecologies and Technologies of Multi-layered Landscapes. Spaces and Flows Journal. Vol. 1, Chicago: Common Ground Publishing, 2011. FOTH, Marcus; FORLANO, Laura; SATCHELL, Christine; GIBS, Martin. From Social Butterfly to Engaged Citzen: Urban Informatics, Social Media, Ubiquitous Computing, and Mobile Technology to Support Citzen Engagement. Cambridge: The MIT Press, 2011. IBM. Smarter Cities. Somers, NY: IBM Corporaion, 2012. HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Commonwealth. Cambridge, Massachussetts: The Belknap Press of Harvard University Press, 2009. HOWARD, Rheingold. Smart Mobs. Transforming Cultures and Communities in the Age of Instant Access. Cambridge, MA: Perseu Books Group, 2002. LEE, Heesang. Mobile Networks, Urban Places and Emotional Spaces. in: Augmented Urban Spaces: Articulating the Physical and Eletronic City. AURIGI, Alessandro; CINDIO, Fiorella. Ed. pp. 41-59. Hampshire: ASHGATE, 2008. LEFEBVRE, Henri. Critique de la vie quotidienne. 3 vol. Paris: L'Arche, 1961  LEFEBVRE, Henri. The Production of Space. Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 1974. LEFEBVRE, Henri. Rhythmanalysis: Space, Time and Every Day Life. London: Continuum, 2004. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. LÉVY, Pierre. O Que é Virtual? São Paulo: Editora 34, 1996. MAIA, Marcelo Reis. Cidade instantânea (IC). 2013. Tese (Doutorado em Design e Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16134/tde-03072013-162823/>. Acesso em: 2014-06-16. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: EDUSP, 2002. SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço Habitado. São Paulo: Ed. Hucitec, 1997. SHEPARD, Mark. Sentient city: ubiquitous computing, architecture, and future of the urban space. Cambridge: The MIT Press, 2011. SHIRKY, Clay. Here Comes Everybody: How Change Happens when People Come Together. London: Penguin Books Ltd, 2008. Kindle Edition. SUROWIECKI, James. The Wisdom of Crows. New York: Doubleday, 2004. VASSÃO, Caio Adorno. Arquitetura Livre: Complexidade, Metadesign e Ciência Nômade. Tese de Doutorado. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Univerisdade de SãoPaulo, 2008. VASSÃO, Caio Adorno. Arquitetura Móvel: Propostas que Colocam o Sedentarismo em Questão. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Univerisdade de SãoPaulo, 2002. VASSÃO, Caio Adorno. Metadesign: Ferramentas, Estratégias e Ética para a Complexidade. São Paulo: Blucher, 2010.